As ordens da madrugada
romperam por sobre os montes:
nosso caminho se alarga
sem campos verdes nem fontes.
Apenas o sol redondo
e alguma esmola de vento
quebram as formas do sono
com a idéia do movimento.
Vamos a passo e de longe;
entre nós dois anda o mundo,
com alguns mortos pelo fundo.
As aves trazem mentiras
de países sem sofrimento.
Por mais que alargue as pupilas,
mais minha dúvida aumento.
Também não pretendo nada
senão ir andando à toa,
como um número que se arma
e em seguida se esboroa,
- e cair no mesmo poço
de inércia e de esquecimento,
onde o fim do tempo soma
pedras, águas, pensamento.
Gosto da minha palavra
pelo sabor que lhe deste:
mesmo quando é linda, amarga
como qualquer fruto agreste.
Mesmo assim amarga, é tudo
que tenho, entre o sol e o vento:
meu vestido, minha música,
meu sonho e meu alimento.
Quando penso no teu rosto,
fecho os olhos de saudade;
tenho visto muita coisa,
menos a felicidade.
Soltam-se os meus dedos ristes,
dos sonhos claros que invento.
Nem aquilo que imagino
já me dá contentameno.
Como tudo sempre acaba,
oxalá seja bem cedo!
A esperança que falava
tem lábios brancos de medo.
O horizonte corta a vida
isento de tudo, isento…
Não há lágrima nem grito:
apenas consentimento.
Belíssimo!!!
‘quebraram e não quebram
…as formas do sono
com a idéia do movimento…’
Errado:
Vamos a passo e de longe;
entre nós dois anda o mundo,
com alguns mortos pelo fundo
Correto:
Vamos a passo e de longe;
entre nós dois anda o mundo,
com alguns vivos pela forma,
com alguns mortos pelo fluído.
Você conseguiu estragar o poema de cecília Meireles! Que pena!
que lindo este poema e lindo eu nao conhecia que vergonha grande cecilia meireles…….que rosto bonito expressivo,maravilhosa bjs
que lindo este poema e lindo eu nao conhecia que vergonha grande cecilia meireles…….que rosto bonito expressivo,maravilhosa bjs
[...] Cecília Meireles – Marcha [...]
[...] processado pelas filhas da poetisa Cecília Meireles porque ele teria adaptado trechos da poesia “Marcha” para a letra de um de seus grandes sucessos, “Canteiros”, que foi gravada em seu primeiro LP [...]
[...] na verdade, este não se trata de um poema musicado. Fagner usou apenas a quinta estrofe do poema Marcha, de Cecília, para fazer apenas a primeira estrofe da canção – e mesmo assim com diversas [...]
É uma pena que não vemos mais pessoas com esta sensibilidade toda.
Quanto ao cantor R.Fagner, foi uma vergonha !
Acreditar na prescrição de obra intelectual neste nivel ou sabe-se lá se não foi incapacidade mesmo.
O que causa estranheza é que nunca mais houve nenhum novo sucesso de composição dele.
Felizmente suas filhas fizeram valer sua memória, mesmo a música tendo ficado muito bonita.
Se houvesse honestidade a história poderia ser outra.
Abraços a todos
WALTER CARVALHO, voce foi no minimo infeliz em seu recado deixado aqui. Ora! acreditar que RAIMUNDO FAGNER é incapaz de letrar uma musica desse kilate,é realmente no minimo INCONCEBIVEL,se nao gostas do cantor a gente pode ate entender,agora,achar que o mesmo é incapaz, isso é ABSURDO. DEMETRIOS FONTES
Hoje em dia tudo é considerado plágio. Na verdade, o Fagner só utilizou parte do poema da Cecília, o que é considerado até como uma homenagem. O plágio é uma invenção da sociedade pós “direitos autorais”. Na Antiguidade e na Idade Média as obras eram constantemente melhoradas. A versão inicial de Romeu e Julieta nunca foi de Shakespeare e a versão inicial do Fausto nunca foi do Goethe. O que ocorre é que atualmente não se pode melhorar ou piorar obra alguma que tenha outra por referência, sem citar esta referência explicitamente.
Independente de se tratar de plágio ou adaptação de uma estrofe, a verdade é que o mundo ficou mais bonito e a dura realidade da vida mais fácil de ser suportada, um pouco por causa de Cecília Meireles e seu poema marcha, um outro tanto através da beleza da música canteiros.
E deixemos de coisa e cuidemos da vida
Pois senão chega a morte ou coisa parecida
E nos arrasta moço
Sem ter visto a vida….
Homenagem e adaptação de Poema de Amor em Leonoreta
O UNICORNE BEIJA A ROSA,
CANTA A FÊNIX DO ALTO MURO…
SALAMANDRAS E QUIMERAS
VEM SABER O QUE PROCURO.
DO TEU NOME NÃO SABIA,
MAS BUSCAVA TUA FACE.
AMOR É ARTE.
MAS A VIDA É TÃO PEQUENA
E BELA SOBRE TODA FLOR.
PELA CELESTE AMPULHETA
FLUI-ME A VIDA EM CINZA BREVE
ONDE O TEMPO É A ETERNIDADE,
E O ENLEVO QUASE SEMPRE TÃO RARO
E ENTRE PÓLOS INVIOLADOS,
ENTRE EQUÍVOCOS MOMENTOS,
VEM E VOLTA A VIDA HUMANA,
QUE SE ENGANA E DESENGANA
EM REDOR DO PARAÍSO
PELA CELESTE AMPULHETA
CAI A CINZA DOS MEUS DIAS.
CAI A CINZA DO MEU CORPO, DA MINHA ALMA
E O TEMPO É UM LÍMPIDO SOPRO
QUE LIBERTA DE ALEGRIAS E DE QUEIXAS…
BRANCA SOBRE TODA FLOR
O LICORNE BEIJA A ROSA
PELA CELESTE AMPULHETA,
VAI – SE A LUZ DA PRIMAVERA
PURO SONHO, A MINHA MORTE,
CAI A CINZA DOS MEUS DIAS
PURA MORTE, O MEU AMOR.
O TEMPO É UM LÍMPIDO SOPRO
QUE HABITA A MINHA ALMA
TUDO O QUE SOU TE ESPERA E TE DEIXAS…
LINDO LINDO LINDO
SEJA CECILIA OU SEJA FAGNER
O CORRETO EH DIZER QUE NO MEU POBRE PORTUGUES
QUE NAO FOI ENSENTIVADO A LER
E QUE O TEMPO
ME TROUXE
A LINDA MUSICA DE FAGNER
QUE INTERPRETA A DOR DA SAUDADE DE NAO ESTAR
JUNTO DOS QUE AMO MUITO, MINHAS FILHAS E MINHA MAE
E HOJE COM TANTA CERTEZA FAGNER DESCREVE TODA
ESSA DOR QUE DESTROI MEU CORACAO.
E FOI ATRAVEZ DE FAGNER QUE CONHECI PROFUNDAMENTE
CECILIA
Que pena! São por esses “Valters” da vida, que nossa MPB que era tão rica (belíssima) se encontra neste estado (salvam-se algumas), o cara não conhece nada de Raimundo Fagner. Vai ver que gosta se Lambada! O quê se à de fazer?
A sequência da música mostra a capacidade do Fagner que não é apenas um compositor e sim um grande poeta.
Por coincidência ontem assisti na Globo News O sarau c/ a participação do Fagner e Zeca Baleiro, onde ele explica esse episódio, e me convenceu plenamente.
Imaginem se vocês lerem ou relerem a obra da poetisa portuguesa FLOR BELA SPANCA. Várias músicas “de Fágner” estão contidas em seus belíssimos poemas. Creio que de forma legal.
Incrivel
Vi uma reportagem do Fagner na Globo News em que ele comenta que houve falta de informações da gravadora no encarte do seu disco, o que gerou todo o mau entendido. Na realidade a música foi baseada no poema, não houve intenção de plágio e sim, uma homenagem à Cecília Meireles. Enfim, o poema e a música são excelentes.
Só um detalhe, o final da letra de canteiros: “Eu inda sou bem moço pra tanta tristeza …e nos arrasta moço sem ter visto a vida”, é um trecho da letra de “Hora do Almoço”, música do Belchior.
O poema de Cecília Meireles é uma obra de arte,maravilhosa e Fagner fez uma adaptação esplêndida , eu amei.
Seria tão bom se as pessoas gostassem mais de ler essas lindas poesias .
“Nem aquilo a que me entrego / já me dá contentamento”
Esse foi o verso mais forte, o que me pegou de jeito. Ele é metade do Fagner, metade da Cecília. É tão bom que o verso anterior ergue um pedestal para ele: “Correm os meus dedos longos / em versos tristes que invento”.