Sou esse menino desagradável,
sem dúvida inoportuno,
de cara redonda e suja,
que fica nos faróis,
onde as grandes damas tão bem iluminadas,
ou onde as meninas que parecem levitar,
projetam o insulto de suas caras redondas e sujas.
Sou uma criança solitária,
que o insulta como uma criança solitária,
e o avisa:
se por hipocrisia você tocar na minha cabeça,
aproveitarei a chance para roubar-lhe a carteira.
Sou aquela criança de sempre,
que provoca terror,
por iminente lepra,
iminentes pulgas, ofensas,
demônios e crime iminente.
Sou aquela criança repugnante,
que improvisa uma cama de papelão
E espera, na certeza,
que você me acompanhará.
Este poema de Arenas é fantástico, é a tradução da vida do escritor cubano, que, apesar da ditadura de Fidel Castro e de toda a repressão em torno de sua obra artística e sexualidade, soube tornar a sua vida em algo extraordinário, e jamais desistiu de seus reais objetivos. ” Aquela criança de sempre” define Reinaldo Arenas em um poema: vitalício, engajado socialmente e amante deseperado da liberdade.